Aos sociólogos evolucionistas, um pedido de desculpas, mas em que mesmo evoluímos?
Nosso modelo de negócios beneficia a pouquíssimas pessoas e dá a outras poucas o sentimento de dignidade de trabalhar para o sustento próprio. Em viagem recente, vi, com pesar, empregados de grandes empresas, como Woolworth's, perderem seu emprego no Reino Unido. A maioria dessas pessoas trabalharam anos a fio para o sucesso de uma empresa que conseguiu sobreviver no mercado por mais de um século e, após o fechamento da organização, agonizam desempregados sem retorno financeiro de um império que ajudaram a construir, provavelmente com mais vigor e dedicação que os próprios donos, que mesmo com o fechamento da empresa, se beneficiam dos lucros obtidos no passado. Num site melancólico, Woolworth's - gone but not forgotten (trad. Woolworth's, falecida, mas não esquecida), clientes e ex-funcionários expressam seu desapontamento, http://208.112.77.53/submissions/gonebutnotforgotten.cfm?CATEGORY=WOOLWORTHS .
Esse modelo fracassado de negócios está ruindo com mais rapidez desde setembro de 2008 quando estourou a bolha imobiliária norte-americana. Pois pensemos, já que existimos, que alguém que trabalhou naquela empresa por 20, 30, 40, 50 anos, não é também dono daquela empresa que ajudou a construir com a dedicação de tantos anos de trabalho? Infelizmente, a lógica que seguimos do capitalismo global é outra, e nos diz que por mais que se dedique uma vida em uma empresa, isso não lhe torna parte decisiva dela . Caso esta tenha lucro e sucesso, o máximo que lhe será atribuído financeiramente é a medida de seu salário. Caso esta empresa perca controle de suas finanças e for à falência, você e seus colegas de trabalho serão despejadas sem direito a reivindicação (exceção a banqueiros e adminsitradores que saíram endinheirados dessa crise).
Mas há uma luz ao fim deste túnel. A crise econômica do capitalismo global veio para nos alertar do perigo de um modelo econômico virtual que beneficia muito poucos. O terceiro setor cresce vantajosamente sobre o modelo do lucro para parcela mínima da população. Neste modelo, ninguém é dono do negócio senão todos. Os lucros são diretamente reinvestidos e o sucesso da organização é responsabilidade de todos, efetivamente. Todos fazem parte e ao passar do tempo as pessoas são respeitadas por sua experiência e conhecimento do negócio. Todo esforço é válido e toda ajuda é bem-vinda. Voluntários ganham experiência e propagam a importância do serviço oferecido. As pessoas são alegres pelo que fazem. Este é um modelo ganha-ganha e todos que fazem parte se orgulham do bem a que se prestam. A missão da organização geralmente é muito clara, lembrada e seguida por todos. Este é o tipo de negócio do futuro. Um negócio que privilegia a tão famosa e pouco praticada co-operação, que há muito sustenta sociedades milenares desenvolvidas que funcionam sustentavelmente, como a de formigas e abelhas.